Dentista alerta sobre relação entre o diabetes e periodontite

A obesidade é um problema de saúde pública que está afetando grande parte do mundo e é a principal causadora de diabetes e hipertensão.

Fonte: DiabeteNet
26/10/2013 – JM OnlineDentista alerta sobre relação entre o diabetes e periodontite

Nos Estados Unidos, 34% da população é obesa; no Canadá, 36%; na França, 10%. No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, 15,8% da população adulta é obesa e 48,5% dela têm sobrepeso.

Assusta também a velocidade com que as crianças estão entrando na faixa de sobrepeso e obesidade, caracterizando uma epidemia. Além de aumentar o risco para doenças como diabetes tipo 2, câncer e cardiopatias, estudo publicado recentemente no jornal norte-americano General Dentistry afirma que a obesidade também é um fator de risco para a gengivite ou periodontite.

De acordo com o cirurgião-dentista Marcelo Sivieri de Araújo, a associação entre doenças periodontais e o diabetes é bem estabelecida. “Hoje é reconhecido que existe uma relação”. Pesquisas recentes mostram que a doença periodontal pode afetar o controle metabólico do diabetes.

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Dados atuais demonstram que pacientes diabéticos têm maior risco de desenvolver doenças periodontais. Pacientes com diabetes que não fazem seu controle glicêmico de forma adequada normalmente evoluem para um quadro de periodontite severa. “Isso resulta na destruição do tecido conjuntivo oral e perda óssea generalizada, levando em última análise à perda de vários ou de todos os dentes”, destaca.

O especialista ressalta que estudos revelam que as mulheres tendem a receber menos cuidados dentários do que o habitual quando estão grávidas. “Em 2012, foi emitida a primeira declaração de Consenso Nacional em Saúde Bucal Durante a Gravidez, enfatizando a importância dos cuidados dentários de rotina para a segurança de mulheres grávidas”.

A doença periodontal e sua associação com parto prematuro, óbitos neonatais e baixo peso ao nascer estão relacionados à disseminação de micro-organismos bacterianos ligados aos estreptococos do grupo B em recém-nascidos”, alerta o cirurgião-dentista.

Sivieri afirma que pesquisas realizadas nos últimos anos descobriram que pacientes obesos com alterações relacionadas ao controle glicêmico tem mais risco de doenças na gengiva, nos dentes e nos ossos da boca, devido à reação da secreção de agentes pró-inflamatórios ou citocinas sobre o tecido gorduroso e a placa bacteriana.

“Com isso, os dentistas devem estar aptos a reconhecer e interligar tais fatores de risco. Hoje é imprescindível a inclusão de uma avaliação do controle glicêmico e da gordura abdominal, quando é diagnosticado um quadro bucal de periodontite. Deve haver uma colaboração positiva com os médicos, a fim de fornecer tratamento para ajudar a reduzir o desenvolvimento do diabetes e da obesidade”, completa o especialista.