A1c já tem regras no Brasil

Esse exame é tão importante para o conhecimento da população como a necessidade de realizar mamografia ou controle do colesterol

O reconhecimento da hemoglobina glicosilada (A1c) como importante medidor no comportamento da glicemia em portadores de diabetes levou as sociedades médicas brasileiras a elaborar um posicionamento oficial sobre o assunto, isto é, reuniram uma série de parâmetros que servem como guia para o acompanhamento de pacientes diabéticos.

A partir desse consenso, é recomendado que os médicos indiquem a seus pacientes a necessidade de realizar esse exame pelo menos duas vezes ao ano, como forma de auxiliar no diagnóstico e correto tratamento da doença.

“Com estas recomendações sobre a A1c, abre-se um caminho para que o diabético passe a ter noção de como deve ser o controle da sua glicemia”, acredita a médica Valéria Guimarães, presidente da Sociedade Brasileira de A1C e Metabologia (SBEM), uma das entidades que colaboraram na redação do documento.

A Dra.Valéria explica que assim como a população já sabe da importância de se realizar mamografia uma vez por ano para prevenir câncer de mama e conhece que a taxa de colesterol deve ficar abaixo de 200 e a pressão ideal é de 12 por 8, a idéia é que o diabético também se familiarize com a medida de A1c, que precisa estar abaixo de 7%.

A endocrinologista acredita que, tendo em mãos o posicionamento oficial das entidades sobre esse exame, os médicos vão tornar essa informação mais conhecida do público leigo.

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A manutenção do nível A1c abaixo de 7% é considerada como uma das principais metas no controle do diabetes. Estudos internacionais mostraram que as complicações crônicas começam a se desenvolver quando os níveis de A1c estão situados permanentemente acima dessa porcentagem.

No decorrer dos anos, a hiperglicemia prolongada promove o desenvolvimento de lesões orgânicas extensas e irreversíveis, afetando os olhos, os rins, os nervos, os vasos grandes e pequenos, assim como a coagulação sangüínea. “Mantendo os níveis de A1C < 7, o risco de desenvolvimento dessas complicações cai”, avalia a presidente da SBEM.

A automonitorização da glicose sangüínea feita com o teste de ponta de dedo oferece informação útil para o controle diário do diabetes. Entretanto, estes testes não são capazes de fornecer ao paciente e à equipe de atendimento de saúde uma avaliação quantitativa e confiável da glicemia durante um período de tempo prolongado, o que é feito pela A1c.

Os testes de A1c devem ser realizados pelo menos duas vezes ao ano para todos os pacientes diabéticos e quatro vezes por ano, a cada três meses, para aqueles que se submeterem a alterações de medicamentos ou que não estejam atingindo os objetivos esperados com o tratamento que estão recebendo.

Estes testes não substituem os exames de glicemia na avaliação do controle glicêmico, mas são complementares porque as informações obtidas de cada um deles são diferentes. Enquanto os resultados de A1c refletem a glicemia média dentro de dois ou três meses precedentes, os exames de glicemia mostram o nível de glicose sangüínea real na data e hora específica em que o exame for realizado.

A combinação dos dois é que garante a pacientes e médicos os dados de que necessitam para avaliar continuamente a eficácia da terapia para o diabetes.

Fonte: Revista Viva Melhor A1C<7

Publicação da Aventis Pharma Ltda.