Contagem de carboidratos (CHO), proteínas e gorduras

Realizar a terapia de contagem de carboidratos facilita muito o tratamento das pessoas com diabetes que utilizam a insulina no tratamento

Fonte: portaldebemcomavida.com.br

Contagem de CHO proteínas e gorduras

Os carboidratos são a base da alimentação humana e geralmente recomenda-se que em torno de 50% a 60% das calorias consumidas diariamente provenham deles, pois são a fonte de energia para manutenção de nossa sobrevivência.

A contagem de carboidratos é um dos métodos utilizados na orientação nutricional de pessoas com diabetes, independentemente do tipo (tipo 1, tipo 2, gestacional, outros). Baseada no cálculo da quantidade de carboidratos contida nos diferentes alimentos ingeridos ao longo do dia, ela permite que sejam obtidos todos os nutrientes necessários ao bem-estar do organismo, de uma forma mais flexível e prazerosa.

Além dos carboidratos, ingerimos, entre outras coisas, gorduras e proteínas. Segundo a Dra. Ivana Nader, endocrinologista, “nem todos estes componentes são absorvidos e utilizados em sua totalidade ou na mesma velocidade. O carboidrato (CHO) é o nutriente que mais afeta a glicemia, quase 100% são convertidos em glicose em um período que pode variar de 15 minutos a 2 horas. Entre 35% a 60% das proteínas são convertidas em glicose em até quatro horas e 10% das gorduras podem ser convertidas em aproximadamente cinco horas ou mais”.

Assim, muitos dos pacientes costumam relatar aos seus médicos que injetaram a quantidade correta de insulina para “dar conta” dos carboidratos assimilados, mas mesmo assim tiveram uma hiperglicemia quatro horas depois. “Em esquema com múltiplas doses de insulina, é feito o bolus para o CHO e quando ingerir uma quantidade maior de proteína ou gordura é realizada a correção posterior”, explica a médica.

“No sistema de infusão contínua de insulina, existe mais de uma forma de liberação do hormônio, que se chama bolus e são utilizados de três maneiras, são elas: o bolus padrão(é liberado insulina naquele momento), obolus prolongado ou estendido(a insulina é liberada lentamente) e obolus multiondas(uma parte da insulina naquele momento e o restante lentamente). Quando é liberado apenas o bolus padrão, é coberto apenas o carboidrato da refeição e com isso a proteína e a gordura vão subir a glicemia posteriormente.

Para que não tenha essa elevação da glicemia, é preciso aumentar o hormônio basal, no caso de alimentos com uma quantidade maior de proteínas ou gorduras (ex. pizza, churrasco). Ainda assim, a taxa de açúcar no sangue vai elevar mais ou menos quatro horas após, necessitando de correção. Com a bomba de insulina, o usuário pode usar o bolus prolongado ou estendido em quatro horas, para cobrir a proteína e a gordura das refeições.

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Então é realizado o bolus padrão para o CHO, e o bolus prolongado ou estendido para proteína + gordura. Este tipo de tratamento pode ser realizado em todas as refeições, não só naquelas com excesso de proteína e gordura, conseguindo desta maneira uma melhor cobertura da refeição e com isso um melhor controle da glicemia”, esclarece Dra. Ivana.

Por exemplo, em um churrasco. “No caso da pessoa só se alimentar da carne, não há carboidrato, só proteína e gordura. Se o paciente não fizer a contagem destes últimos componentes (bolus prolongado ou estendido), a glicemia vai elevar após mais ou menos quatro horas. Isso não ocorre apenas nos churrascos, mas também no dia a dia, com o público adolescente, que geralmente come uma quantidade maior de proteína”.

“Por isso, em 100g de carne vermelha, há zero de CHO e 11g de proteína e gordura, dessa forma, é realizado um bolus prolongado de 11g de CHO em quatro horas. Como normalmente não se come apenas a carne, é realizada a contagem da CHO da refeição, feito o bolus padrão e posteriormente contado a proteína e a gordura, assim, realiza-se o bolus prolongado ou estendido em quatro horas”, alerta a endocrinologista.

Dessa forma, a bomba de insulina costuma ser o tratamento melhor, pois oferece a cobertura das refeições independentemente do tipo de alimentação. Mas é bom sempre lembrar “tanto o sistema de infusão contínua de insulina como o de múltiplas injeções diárias, o usuário necessita realizar a automonitorizacao, para manter um bom controle, pois é necessário fazer as devidas correções da glicemia”, acrescenta a médica.

“É importante aproveitar todos os recursos que a bomba de insulina oferece, além da variação do tipo de bolus, com outros recursos que o equipamento proporciona o que gera um melhor controle e uma melhor qualidade de vida, como: eventos de saúde (programa um aumento ou diminuição do bolus em situações como exercício, estresse, doença, período pré-menstrual), dose basal temporária (aumenta ou diminui o basal em situações como hipoglicemia, atividade física, doença) e a possibilidade de até cinco basais diferentes, como por exemplo, nas férias ou fim de semana, em que se dorme até mais tarde, e às vezes a glicemia cai pela manhã. Nestes casos, sugiro também fazer um segundo basal com diminuição da insulina da manhã, ou um basal diferente para o período menstrual”, sugere Dra. Ivana.

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