Obesidade e Diabetes

Os casos de diabetes tipo 2 vêm aumentando nos últimos anos devido, principalmente, à obesidade. Se conseguirmos controlar a obesidade, essa incidência diminuirá.

obesidade e diabetesResistir às guloseimas, às embalagens convidativas de salgadinhos e afins, aos coquetéis fascinantes, ao fetiche dos pratos exóticos, aos criativos apelos publicitários, não é nada fácil. A todo instante somos bombardeados e envolvidos pelas tentações gastronômicas, que nos remetem ao pecado da gula e ao excesso de peso. Os avanços científicos nos oferecem condições de ter uma vida mais longa e saudável. Porém, precisamos dar atenção aos sinais emitidos pelo corpo e mudar nossos hábitos de vida.

O endocrinologista Dr. Airton Golbert, classifica a obesidade como uma doença que se caracteriza pelo de peso corporal associado ao aumento de proporção de gordura no organismo em relação ao tecido magro, ou seja, ossos, músculos e vísceras. “Vários fatores podem levar à obesidade. Porém, o mais freqüente é o excesso de ingestão alimentar, acompanhado pela falta de exercício físico”, admite.

E como complemento o endocrinologista Dr. Marcello Bronstein cita, “é uma pena que a maioria das pessoas ao perceber que está engordando não desperte para a importância da prevenção do problema antes que este se torne mais grave. Consultar um especialista, fazer uma avaliação completa do estado do organismo, trocar a vida sedentária por atividades esportivas, optar pela alimentação balanceada podem evitar o constrangimento causado pelo excesso de adiposidade”.

Hoje a obesidade é uma doença crônica, como a hipertensão e o diabetes. Para o endocrinologista Dr. Márcio Mancini a explicação da obesidade é simples: “durante centena de milhares de anos o ser humano sobreviveu à escassez de alimentos e precisava usar muita força muscular para locomoção e tarefas do dia-a-dia. Somente nos últimos cem anos, e mais acentuadamente nos últimos 50, a situação se inverteu. Atualmente, a alimentação é abundante, a desnutrição é rara e pouco se gasta de energia nos grandes centros urbanos”.

A Organização Mundial de Saúde classificou o excesso de peso como uma epidemia mundial. Entre os “fora de forma” estão mais de 300 milhões clinicamente obesos, aqueles com índice de massa corpórea (IMC) acima de 30, associado a uma série de doenças graves, como problemas cardíacos, diabetes, hipertensão e até alguns tipos de câncer.

“No Brasil, 40% têm excesso de peso e 10 a 15 % têm obesidade, o problema já é mais grave do a fome”, assinala Mancini. “A prevalência de obesidade tem resultado  em aumentos preocupantes também na incidência de diabetes tipo 2. Se não tomarmos atitudes eficientes para conter esta situação, a obesidade irá se constituir num dos maiores problemas de saúde pública”, alerta.

Uma Relação Perigosa

Complicações da Obesidade:-

  • Diabetes tipo 2
  • Hipertensão
  • Aumento de lipídios no sangue
  • Infarto e derrame (AVC)
  • Apnéia do sono
  • Alguns tumores (câncer de mama, útero, próstata, vesícula).
  • Cálculo de visícula
  • Esteatose e até cirrose hepática
  • Refluxo gastroesofágico
  • Problemas psicológicos
  • Desenvolvimento de hipertensão
  • Diabetes gestacional
  • Osteoartrose

A obesidade predispõe o organismo a uma série de doenças, como diabetes tipo 2. O diabetes potencializa outros fatores de risco cardiovascular encontrados com freqüência nas pessoas que estão acima do peso, como a hipertensão e alterações de colesterol e triglicérides. A obesidade deve ser sempre prevenida e tratada. Emagrecer é fundamental no sucesso do tratamento do diabetes.

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“O uso de medicamentos antiobesidade em quem está com sobrepeso é indicado. Quem tem diabetes e obesidade mórbida (grau III), a cirurgia bariátrica é um dos melhores tratamentos”, dizem os especialistas.

Para Marcello Bronstein, a relação obesidade e diabetes é uma relação perigosa. “O aumento da massa gordurosa, principalmente abdominal (visceral) está ligada à resistência à insulina, ou seja, à maior dificuldade da insulina colocar a glicose para dentro das células. O problema se agrava se o paciente tiver predisposição genética para desenvolver diabetes, pois neste caso o pâncreas é mais suscetível à deficiência na produção de insulina”.

“As estratégias usadas no tratamento da obesidade são as mesmas usadas para quem tem diabetes, com o reforço de tratamentos farmacológicos com drogas como a sibutramina e o orlistat que foram as mais estudadas para esses casos”, observa Mancini.

Adicionalmente, na obesidade associada ao diabetes são de grande utilidade drogas sensibilizadoras de insulina, principalmente a metformina, bem como medicamentos que reduzem a absorção intestinal de gorduras, segundo os endocrinologistas. Existem estudos que confirmam que o exercício físico e a diminuição do peso, em torno de 7%, levaram à prevenção do diabetes no longo prazo.

É lamentável a dificuldade que a maioria das pessoas encontra para melhorar os hábitos de vida. Mudanças consistentes na alimentação e atividade física moderada são a melhor solução para prevenir, tratar e afastar o fantasma da obesidade. “A dieta hipocalórica é fundamental, sendo que quem tem diabetes deve restringir ainda mais os carboidratos rapidamente absorvíveis, como o açúcar, doces, e frutas com pouca fibra”, afirma Bronstein.

Nunca é demais afirmar a importância de mudança de estilo de vida (hábitos alimentares saudáveis e exercícios físicos) continuam sendo a pedra básica do tratamento. Os medicamentos, tanto os moderadores do apetite, como drogas que diminuam a absorção intestinal de gorduras, podem ser considerados coadjuvantes. Porém, ninguém deve fazer uso sem prescrição médica. A automedicação poderá tornar-se perigosa para o organismo.

Espera-se que avanços farmacológicos permitam um grau maior de sucesso no tratamento da obesidade e que tornem possível a manutenção do peso a longo prazo. No momento, a melhor maneira de tratar a obesidade e o ganho de peso é o acompanhamento a longo prazo com nutricionista e médico especialista.

Acredita-se que num futuro bem próximo poderemos contar com novas descobertas capazes de minimizar o problema. Até lá, procure melhorar sua qualidade de vida com uma dieta mais adequada, exercícios físicos e hábitos saudáveis de vida. O fundamental é querer emagrecer e conscientizar-se de que isso é o melhor para a saúde física e emocional.

Como (tentar) resistir às tentações:

  • Procure distinguir fome de gula, principalmente quando for repetir um prato
  • Acrescente boa quantidade de legumes e verduras às suas refeições.
  • Planeje sua lista de compras e evite comprar alimentos muito calóricos. Leia o rótulo e compare o valor nutricional dos alimentos (o primeiro ingrediente descrito é sempre aquele que está presente em maior quantidade).
  • Estabeleça metas realistas com relação ao seu peso.
  • Não pule nenhuma refeição para não exagerar na próxima
  • Procure não usar a comida como um “calmante”, procure resolver seus problemas emocionais de outra forma.
  • Concentre-se em melhorar seus hábitos alimentares no geral, a perda de peso será uma conseqüência.
(Referência: Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade – ABESO 

www.abeso.org.br/

 Revista “De Bem com a Vida” – Publicação Roche Diagnóstica Brasil Ltda.