Empresa israelense desenvolve pílulas de insulina para diabéticos

“A insulina de ingestão oral não existe até agora, mas somos quem mais tem condições para lançá-la no mercado”, declarou Nadav Kidron, CEO da Oramed. “Estamos prestes a iniciar a Fase 2 dos ensaios clínicos nos Estados Unidos, o que é uma excelente notícia.”

A Oramed já completou uma Fase 2 na África do Sul com sucesso, em maio de 2010, mas a aprovação da FDA nos EUA é o padrão mundial do setor farmacêutico. Para obter a aprovação da autoridade americana, a Oramed espera iniciar os ensaios clínicos da Fase 2 nos EUA no início de 2013 e, se os testes obtiverem sucesso, a Fase 3 deve começar no ano seguinte.

Empresa israelense desenvolve pílulas de insulina para diabéticosPor que até hoje ninguém inventou a pílula de insulina?  Segundo Kidron, por duas razões:

“Primeiro porque a insulina é um peptídeo, uma pequena proteína que é degradada pelas enzimas do corpo quando consumida via oral. O segundo problema é o tamanho da insulina, pois ela não passa pelas paredes do intestino e não chega à circulação sanguínea. Imagine que a insulina é uma bola de tênis e as paredes do intestino são a rede. A bola não passa pela rede.”

Depois de 25 anos de pesquisa, no entanto, uma equipe de cientistas do Hadassah Medical Center, em Jerusalém,desenvolveu uma forma de superar esses obstáculos. Dentre os cientistas, estava a Dra. Miriam Kidron, mãe de Nadav e sobrinha-neta do Rabino Abraham Isaac Kook, o primeiro rabino-chefe asquenaze da Palestina. Ela contou ao filho as conclusões do grupo e, juntos, em 2006, eles ajudaram a fundar a Oramed

“Fico feliz de que esteja virando realidade”, conta a Dra. Kidron. “Meu objetivo é que as pessoas possam comprar a insulina oral na farmácia. Será fantástico porque há muita gente no mundo que depende desse tipo de medicamento.”

De acordo com a Associação Americana de Diabetes, mais de 25 milhões de americanos, 8% da população, sofrem atualmente com a doença. No mundo inteiro, esse número chega a aproximadamente 350 milhões.

Nadav Kidron conta que, por todos os lugares onde ele passa, as pessoas estão felizes e ansiosas com o trabalho da Oramed. “É um Kiddush Hashem. Acho que é a melhor forma de mostrar às pessoas que Israel não se resume ao conflito entre palestinos e israelenses. Nós também pesquisamos medicamentos e drogas que podem tornar a vida de todos melhor.”

Apesar de no momento a Oramed estar focada na produção da pílula de insulina, a empresa tem a ambição de viabilizar a administração oral de outros medicamentos. “Imagine a vacina contra a gripe”, comenta Nadav Kidron. “Imagine quantas pessoas mais poderiam tomá-la se ela estivesse disponível em forma de pílula. Imagine quanto seria possível economizar no tratamento de saúde. Essa é uma tecnologia que pode revolucionar a saúde mundial como a conhecemos.”

 

Janeiro 2, 2013 ,Categoria: Ciências da Vida

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