Adaptação ao diabetes: Uma criança feliz!

Adaptação ao diabetes: Uma criança feliz!O diagnóstico de diabetes na criança quase sempre vem acompanhado de um forte stress por toda a família.

Na fase inicial existem vários sentimentos, muitas dúvidas e até mesmo revolta (Por que eu? O que fiz? De quem é a culpa? Como irei me tratar, aplicar insulina, etc…).

O que nós observamos é que as crianças mostram uma extrema capacidade de adaptação, mais rápida que os adultos. No nosso ambulatório no SUS, certa vez perguntei ao Luiz Fernando, atualmente com 16 anos, como era ser diabético desde os 30 dias de vida? E ouvi a mais normal das respostas: “Eu sempre fui diabético e as coisas para mim sempre foram desse jeito. Não tive problemas!”. Vale lembrar que ele é e sempre foi muito bem controlado e adaptado à sua condição.

A aceitação por parte da família, a união, a solidariedade, conseguem fazer milagres. É fundamental não haver uma superproteção. As respostas devem ser dadas de forma direta, claras.

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Quanto mais cedo a criança puder fazer a auto-aplicação e monitorização, maior será o processo de independência e conscientização. A criança bem controlada se apresenta saudável, tranqüila, com bom desenvolvimento estatural, psicológico e escolar. O equilíbrio no ambiente que freqüenta é fundamental para a adaptação ‘a nova realidade. Quando a família aceita bem o diagnóstico, as coisas tendem a fluir melhor.

Muitas vezes, apesar da orientação alimentar adequada, da insulinoterapia bem feita, atividade física regular, o controle ainda é instável. Isso acontece devido aos inúmeros fatores que interferem no controle glicêmico e é nesta fase, principalmente, que a monitorização várias vezes ao dia é tão importante.

Somente compaciência, dedicação, conhecimento, seremos capazes de superar as dificuldades que surgem no dia-a-dia dos diabéticos. A criança e o adolescente diabético bem controlados podem fazer tudo o que uma pessoa não-diabética faz: brincar, trabalhar, divertir-se, fazer esportes, namorar, ter filhos no momento certo.

Existem muitos avanços que irão em breve modificar a monitorização e o tratamento do diabetes, tais como os novos glicosímetros não invasivos, as novas insulinas por inalação. Embora a promessa do transplante de pâncreas esteja aumentando, o tratamento intensivo do diabetes é a melhor terapêutica que podemos proporcionar atualmente para os nossos pacientes.

Fonte: jornal “O Amanhã é Hoje”
Artigo escrito pela Médica Endocrinologista – Dra. Ana Chartuni
Juiz de Fora  –  Minas Gerais