Células-tronco – A Revolução na Medicina

Doenças tidas como incuráveis podem estar com os dias contados. Elas estão na mira dos pesquisadores que estudam as células-tronco, e prometem uma revolução no tratamento e na qualidade de vida. Mas isso ainda pode levar algum tempo.

Células-tronco são células capazes de multiplicar-se e diferenciar-se nos mais variados tecidos do corpo humano (sangue, ossos, nervos, músculos, etc…). São elas as responsáveis pela formação do embrião, e também pela manutenção dos tecidos de nosso organismo. O uso de células-tronco na reconstituição de órgãos e tecidos lesados pode estar dando início a uma nova vida, rica em possibilidades regenerativas.

Apesar da aprovação da Lei de Biossegurança, que permite a utilização de embriões congelados há mais de três anos para pesquisas, do entusiasmo dos cientistas e médicos, da esperança de pacientes e seus familiares, em poder beneficiar-se dessa conquista, nesta hora é preciso muita calma. Os estudos estão em andamento, mas dependemos de mais pesquisas.

Entenda mais sobre células-tronco, com o endocrinologista Dr. Reginaldo Albuquerque.

 O que é célula-tronco?

– As células-tronco são células mestras que têm capacidade de se diferenciar e constituir diferentes tecidos no organismo. Elas também têm capacidade especial de auto-replicação, isto é, podem gerar cópias idênticas de si mesmas. Devido  a essas capacidades, as células-tronco são objeto de intensos estudos e pesquisas. Acredita-se que, no futuro próximo, elas possam funcionar como células substitutas em tecidos lesionados ou doentes, como nos casos de Diabetes tipo 1, Parkinson, Alzheimer, traumatismo de medula espinhal, esclerose múltipla, queimaduras, entre outras doenças.

 O que são células-tronco embrionárias?

– São as células-tronco dos embriões. Essas células podem se diferenciar em todos os 216 tecidos que formam o corpo humano.

 O que são células-tronco adultas?

– São células presentes no organismo (inclusive crianças), principalmente na medula óssea, que conseguem se diferenciar em quase todos os tecidos humanos, menos placenta e anexos embrionários. São mais especializadas do que as células-tronco embrionárias, dando origem a tipos específicos de células.

 A aprovação da lei de biossegurança para a pesquisa com células-tronco embrionárias foi uma grande conquista da ciência?

– As pesquisas com células-tronco embrionárias podem oferecer mais chances de cura para inúmeras patologias. Vejo como uma grande conquista da medicina. As pesquisas vão ser feitas com células-tronco obtidas de embriões congelados há mais de três anos. Isso pode assegurar material para pesquisas para os próximos cinco anos.

Conheca Viva Zero

 Como as células-tronco podem ajudar no tratamento do diabetes?

– As células-tronco embrionárias precisam transformar-se em células beta produtoras de insulina, e só depois disso serão re-implantadas no organismo. O local mais provável é o fígado. Para que estas células não sejam rejeitadas é necessário tratamento imunossupressor. No Brasil existem apenas trabalhos experimentais de laboratório. Acredito que vá demorar alguns anos para termos resultados concretos. Está-se criando uma falsa expectativa em torno disso, e o assunto precisa ser bem esclarecido.

 Tem idéia de em quanto tempo as pesquisas serão capazes de beneficiar a população?

– Estamos falando numa média de cinco a dez anos para que estes conhecimentos sejam incorporados à prática clínica. Desde 1980 faz-se pesquisas com células-tronco embrionárias de camundongos. As pesquisas continuam avançando e as perspectivas são otimistas. Portanto, não estamos partindo do zero. Atualmente um grupo de cientistas da USP de Ribeirão Preto estão utilizando células-tronco adultas em pacientes com Diabetes tipo 1 recém diagnosticado.

 Há indícios que essas pesquisas podem influenciar positivamente na cura do Diabetes?

– Em cinco casos de pacientes com Diabetes tipo 1, tratados em Ribeirão Preto, quatro deixaram de usar insulina. Contudo, o período de evolução das pessoas com diabetes submetidas a esse protocolo não é superior a um ano. O grupo da USP Ribeirão Preto tem liberação dos órgãos controladores de pesquisa no Brasil para realizá-lo em 12 casos de pacientes com Diabetes tipo 1 e com menos de seis semanas de diagnóstico, quando se acredita que ainda existe reserva pancreática de células beta.

 Fazendo um balanço: o que os cientistas já dominam, e o que ainda precisa ser aprofundado?

– A ciência já sabe como lidar com as células-tronco isoladas, mas não sabe ainda como transformá-las em tecidos, músculos, etc…Com relação à liberação de insulina há outros fatores, como a necessidade de que as células implantadas tenham os mecanismos de glico-regulação, ou seja, elas precisam aprender a produzir a insulina no momento adequado, isto é, na medida em que os níveis de glicose sobem no sangue, quando nos alimentamos.

Problemas de saúde que podem ser tratados por células-tronco:

 Distúrbios neurológicos;

  • Doenças cardíacas;
  • Lesões da coluna vertebral;
  • Diabetes;
  • Queimaduras;
  • Amputação de membros.
 Fonte: Revista “De Bem com a Vida” – Publicação Roche Diagnóstica Brasil Ltda.