Da ficção para a realidade

O Sistema de Infusão Contínua de Insulina (SIC), ou a Bomba de Insulina, já está sendo usado no Brasil por algumas pessoas e vem apresentando ótimos resultados.

O produto é indicado para quem tem diabetes tipo 1, e promete um melhor controle nos níveis de glicemia, além de mais liberdade no que se refere aos horários e às refeições.

A  oferece muitas vantagens, mas para poder usufruir plenamente dos seus benefícios, o bomba de insulinausuário precisará estar disposto a assumir algumas responsabilidades. A primeira mudança, e a mais importante, é a monitorização constante dos níveis de açúcar – no mínimo quatro vezes por dia, e a segunda é o preparo para lidar com o equipamento.

“O indivíduo precisa, antes de tudo, admitir que tem diabetes e encarar isso de forma tranqüila. Ele deve estar disposto a modificar sua dieta, aprender a fazer contagem de carboidratos e usar um aparelho preso junto ao corpo 24 horas por dia”, destaca Leão Zagury, endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes – SBD.

Em razão de tantos cuidados, quando se opta por utilizar o aparelho, o indivíduo passa por um processo de educação em diabetes, orientado pelo seu médico. “A pessoa vai precisar aprender a fazer a contagem dos carboidratos, também precisará entender como a insulina funciona no corpo e tudo o que é necessário fazer para conseguir mais qualidade de vida. Acredito que quando se opta pelo tratamento, além de um controle maior do diabetes adquire-se maior consciência sobre o assunto. É uma melhora de vida em todos os sentidos”, constata Karla Melo, endocrinologista da equipe de Diabetes do Hospital das Clínicas.

Pequena e Prática

O Dr. Zagury explica que a bomba é pequena – do tamanho de um Pager- e é ligada ao corpo por um finíssimo cateter com uma agulha flexível na ponta . “A agulha é inserida na região subcutânea, preferencialmente do abdômen ou coxa, e deve ser substituída a cada dois ou três dias para evitar obstruções”.

O funcionamento do aparelho é simples: ele libera, 24 horas por dia, uma quantidade de insulina basal, programada pelo médico, imitando o pâncreas de uma pessoa que não tem diabetes. “A cada refeição, o indivíduo deve fazer o cálculo da quantidade de carboidratos que será ingerida (a conhecida contagem de carboidratos) e regular o aparelho para lançar uma quantidade a mais de insulina rápida ou ultra-rápida no organismo. A essa operação se dá o nome de “bolus”.

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“O uso correto do aparelho pode reduzir em até 40% as crises de hipoglicemia e diminui, significativamente, as complicações decorrentes do diabetes. Além disso, o aparelho é excelente para controlar o chamado fenômeno do amanhecer, responsável pela elevação da glicemia entre as 4 e 8 horas da manhã que pode levar a hiperglicemias se o indivíduo não programar corretamente a dose de insulina na noite anterior ou não se levantar de madrugada para administrá-la. Com o uso da bomba esse problema é resolvido”, explica Karla.

Usando a criatividade

Para driblar o fato de ter que carregar a bomba amarrada junto ao corpo dia e noite, o endocrinologista incentiva a criatividade. “Às crianças, eu incentivo o uso de um ‘cinto de utilidades’ como os dos super heróis. Já os adultos podem lançar mão de bolsas, pochetes, ou mesmo o bolso da calça. Basta fazer um pequeno furo no tecido e passar o cateter por dentro da roupa”.

O acompanhamento médico é fundamental

Zagury só tem um alerta a fazer a respeito do novo tratamento, que não se refere propriamente ao produto, mas sim ao comportamento de alguns usuários: “Muitas vezes o paciente se sente tão bem, que resolve desaparecer do consultório, ou então decide determinar ele mesmo as quantidades de insulina mais adequadas às suas necessidade. Já ouvi histórias absurdas, como a de um garoto que acreditando poder ingerir açúcar livremente, comeu um quantidade muito grande de bolo de chocolate, em duas horas. Assim não há bomba que resista!”.

O médico reforça que a bomba é um dos mais eficientes métodos para controlar o diabetes, mas não é a solução definitiva. “Ela melhora a qualidade e perspectiva de vida do paciente. No entanto o usuário sempre necessitará de acompanhamento e orientação profissionais”.

Portanto, mesmo com toda tecnologia, o médico jamais poderá ser esquecido.

Como funciona o SIC (Bomba de Insulina)

  • O aparelho é composto por uma seringa de insulina e um chip que controla seu funcionamento.
  • A bomba é programada pelo médico para injetar quantidades pequenas de insulina continuamente, 24 horas por dia, conforme as necessidades do paciente.
  • Essas quantidades de insulina podem variar durante o dia. Por exemplo, a pessoa pode necessitar de uma quantidade menor de insulina basal durante a manhã, por praticar atividades físicas nesse período do dia e uma quantidade maior à tarde, quando está estudando. Nesses casos, o médico poderá orientar sobre qual seria o melhor ritmo de infusão para cada período.
  • Antes das refeições é necessária uma quantidade a mais de insulina ultra-rápida conforme a quantidade de carboidratos ingerido

Fonte: Revista “De Bem com a Vida”
Publicação da Roche Diagnostica do Brasil Ltda.