Ele fez um pâncreas para o filho com diabetes tipo 1

Acordar quatro vezes por noite, medir os níveis de açúcar n o sangue, compensá-lo com uma insulina, a rotina que o pai de David automatizou

Fonte: DiabeteNet Motival

Postado por: sabado.pt

Por: Maria Espírito santo
Em: 05/03/2015

O que mais assustava Edward Damiano era ver o filho  Ele fez um pâncreas para o filho com diabetes tipo 1dormir. David tem um sono profundo, e o mais certo é que não se percebesse o nível de açúcar demasiado baixo no sangue. Assim, Edward e a mulher faziam o esforço de acordar todas as noites, três a quatro vezes, para lhe picar o dedo, ou para lhe dar uma insulina enquanto dormia. Mas sempre que via o filho afundado no travesseiro,  o pai continuava a recear: e quando fosse para a faculdade, como seria?

Já passou uma década desde que o engenheiro biomédico se propôs a arranjar uma solução para controlar a diabetes tipo I. O pâncreas biônico, que deverá estar à venda em 2017, é um sistema dividido em três: um monitor, colocado por baixo da pele, uma caixa com duas bombas, uma de insulina e outra de glicose, e, finalmente, uma peça que se encaixa no iPhone.

O monitor envia informação ao telemóvel sobre a glicose e, através de um algoritmo matemático, são tomadas decisões sobre o que é preciso administrar. Se, numa situação normal, o doente tem de verificar constantemente os níveis de açúcar, fazer cálculos e tomar decisões, com este sistema já não é preciso pensar em números. Nem tomar decisões: a insulina e a glicose são libertadas de forma automática.

São 288 decisões por dia

Conheca Viva Zero

De cinco em cinco minutos, o monitor registra os níveis de açúcar e toma decisões. Se for necessário, o sistema injeta insulina (que baixa o nível de açúcar) ou glicose (que  aumenta)

Foi aos 11 meses que a mãe de David, pediatra, descobriu que o filho tinha diabetes. A partir daí, verificar os níveis de açúcar passou a fazer parte do dia a dia: níveis muito altos podem causar falência renal e levar à amputação de membros; níveis demasiado baixos geram tremores, convulsões e até a morte. Com o tempo, as rotinas tornram-se mais exigentes: era preciso contar as bolachas que David levava para a escola e acompanhá-lo nas visitas de estudo (os pais iam a todas).

A fuga de um doente:

O pâncreas biônico começou por ser testado em porcos e já foi utilizado por crianças e adultos em ensaios clínicos; até houve quem desaparecesse com ele, para não ter que o devolver, como o pequeno de 11 anos que fugiu dos pesquisadores que foi encontrado uma hora depois. Há ainda registros de pessoas que se sentiram nauseadas, ou que não apresentaram melhoras, mas as perspectivas são positivas.

A revista Time, que conta a história, avança com um estudo do New Journal of Medicine. Conclusão: 81% dos que usaram o pâncreas biónico controlaram melhor os níveis de açúcar.

Agora, David usa um monitor CGM, colocado na barriga, que faz o controle e apita, se os níveis estiverem demasiado altos ou baixos. Para que o pâncreas biônico possa ser utilizado por David e chegar ao resto do mundo, tem de ter a cobertura dos seguros, ou custará milhares de euros. E nem todos os seguros de saúde comparticipam os diferentes sistemas para tratar a diabetes. Mas, antes da questão financeira, ainda há outra prova: o último ensaio clínico, que será realizado em 2016.

O site Diabete.Com.Br avisa: As informações contidas neste site não se destinam ou implica a ser um substituto para aconselhamento médico profissional, diagnóstico ou tratamento. Todo o conteúdo, incluindo texto, gráficos, imagens e informações, contidos ou disponíveis através deste site são apenas para fins informativos gerais. As opiniões expressas aqui são as opiniões de escritores, colaboradores e comentaristas, e não são necessariamente aqueles de Diabete. Com.Br. Nunca desconsidere o conselho médico profissional ou demorem a procurar tratamento médico por causa de algo que tenha lido ou acessado através deste site.