Em idoso, remédio para diabetes pode causar mais efeito colateral que benefício

Pacientes mais velhos sofrem mais com injeções diárias de insulina e remédios que causam indigestão e enjôos, diz estudo

Fonte: saude.ig.com.br/minhasaude/
Por: BBC- BRASIL

Medicamentos como a metformina são prescritos para controlar o índice glicêmico

Em idoso remédio para diabetes pode causar mais efeito colateral que benefício

Uma pesquisa sugere que os benefícios de tomar medicamentos para diabetes tipo 2 podem não compensar as desvantagens.

O estudo de pesquisadores da University College London (UCL), publicado na revista científica JAMA Internal Medicine, afirma que os pacientes idosos são os que mais podem ser afetados pelos efeitos colaterais de alguns medicamentos e pelas mudanças no estilo de vida devido à intensidade do tratamento.

A diabetes tipo 2 afeta a capacidade do organismo de controlar os níveis de açúcar no sangue. A doença pode estar ligada à obesidade e, no longo prazo, causar problemas cardíacos, nas funções renais, no sistema nervoso e até cegueira.

Seu tratamento combina restrições à dieta alimentar com medicamentos antidiabéticos, como metformina, para baixar as taxas de açúcar no sangue e prevenir os sintomas da doença.

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Efeitos colaterais

Mas o estudo adverte que os tratamentos com medicamentos podem causar mais efeitos colaterais em idosos do que benefícios.

Segundo especialistas, um diabético de 45 anos que consegue reduzir o nível de açúcar no sangue em um ponto percentual consegue, em retorno, dez meses de vida saudável. Já para um paciente de 75 anos sob as mesmas medicações, esse ganho é reduzido para apenas três semanas.

Os pacientes mais velhos também sofrem mais com outros tratamentos, como injeções diárias de insulina, exames de sangue freqüentes, remédios que causam indigestão e enjoos, além de maior risco de hipoglicemia.

Um dos autores da pesquisa disse à BBC que os portadores da doença devem ter o direito de saber quais os reais benefícios do tratamento em relação a ganhos na expectativa de vida e redução do risco de doenças cardíacas ou cegueira.

“A partir daí, você é capaz de decidir, mas a verdade é que muitos médicos não tem esses dados nas mãos”.

Para o Instituto Nacional para Saúde e Excelência Clínica da Grã-Bretanha (Nice, na sigla em inglês) o controle dos índices glicêmicos em diabéticos não deve prejudicar sua qualidade de vida.

“Nas situações em que medicamentos não ajudam a alcançar os níveis (de açúcar), outras terapias, como ajustes na dieta alimentar, devem ser oferecidas.”

Os resultados do estudo não se aplicam aos portadores de diabetes tipo 1.

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