Entendendo as Células-Tronco

Tire suas dúvidas sobre o assunto do momento, as células-tronco, que podem ajudar muitas pessoas com problemas considerados atualmente como incuráveis.

O que são células-tronco?

São células pouco ou não diferenciadas, com grande capacidade de transformação celular. São celulas tronco doisencontradas em embriões, cordão umbilical e tecidos adultos, como o sangue, a medula óssea e o fígado, por exemplo.

Se as células-tronco podem ser retiradas de tecidos adultos, por que os cientistas querem trabalhar com embrionárias?

Porque somente essas são pluripotentes ou totipotentes, ou seja, têm capacidade virtual de produzir todos os 216 tecidos do corpo. As células retiradas de um tecido adulto podem produzir apenas um tipo: por exemplo, as chamadas hemotopoiéticas, obtidas na medula óssea, formam todas as células que formam o sangue, como linfócitos e glóbulos vermelhos.

Pesquisas recentes sugerem que células-tronco adultas talvez apresentem uma capacidade similar às embrionárias, quando trabalhadas sob certas condições, mas os resultados precisam ser comprovados.

O que a lei aprovada na Câmara permite e coíbe?

A lei permitirá o uso de células-tronco de embriões congelados nas clínicas de fertilização assistida que são excedentes, pois não serão colocados em útero, ou inviáveis, que não teriam a capacidade de se desenvolver em um feto. Os embriões precisam estar congelados há mais de três anos e só podem ser usados após o consentimento dos pais mediante doação.

Não serão permitidos o comércio dos embriões nem sua produção e manipulação genética. Estão vetadas as clonagens terapêuticas, para aplicação na pesquisa, e reprodutivas, que visa à produção de pessoas.

Qual o tamanho do embrião quando as células são extraídas para pesquisa?

Microscópico. Assim que o óvulo é fertilizado pelo espermatozóide, ele começa a dividir. Em cinco dias, cerca de cem células estão formadas e o embrião é chamado de blastocisto. Ele é formado por uma camada fina de células – que formarão a placenta – e um aglomerado de células-tronco em seu interior – que formarão o ser humano. Desse bolo de células, é retirado o chamado “botão embrionário”, ação que destrói o embrião. As células são cultivadas em laboratório para se manterem não diferenciadas, ou seja, não formarem nenhum tipo de tecido, como um neurônio ou uma célula de epiderme.As linhagens criadas rendem material para diversos anos de trabalho no laboratório.

Quantos embriões congelados existem no país?

Estima-se que existam cerca de 30 mil embriões congelados nas clínicas de fertilização assistida no Brasil, mantidos em nitrogênio líquido a -196º C. Atualmente, o material não pode ser descartado.

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Cientistas podem adquirir as células-tronco diretamente nas clínicas de fertilização assistida?

Sim, mas não antes de autorização de uma comissão especial. Qualquer projeto científico que envolve a manipulação de material humano precisa da autorização de um conselho de ética do instituto onde o cientista trabalha. Após dar esse passo, ele poderá contatar as clínicas. Nenhum embrião poderá ser usado sem a permissão dos pais biológicos.

O prazo de 3 anos foi estabelecido no texto da lei para que os casais tenham tempo para decidir se querem ou não implantar o embrião no útero.

Quais doenças que, já se sabe, podem ser curadas ou mitigadas pelo uso de células-tronco?

O transplante de células-tronco adultas para tratar leucemia tem sido usado com grande sucesso. Fora isso, a imensa maioria das terapias propostas, sejam elas com células embrionárias ou adultas, está em teste, apesar de alguns resultados preliminares promissores.

Há algumas áreas nas quais os cientistas depositam mais esperança de aplicação das células, como o mal de Parkinson, diabete, lesões na medula, alguns tipos de câncer e doenças no coração. Em modelos animais, elas restituíram a medula óssea, aliviaram sintomas de Parkinson, recuperaram pelo menos parcialmente a visão de ratos e o movimento das patas.

As pesquisas mais avançadas são realizadas com a variação adulta, cuja utilização é menos polêmica e mais disseminada. Com as células-tronco embrionárias, há alguns problemas de segurança que ainda dependem de solução. O fato de elas terem capacidade de se transformar em qualquer tecido é polêmico. As possibilidades terapêuticas são extensas, mas os cientistas têm dificuldade em produzir apenas o tecido desejado naquele caso. Se elas não são direcionadas antes da aplicação no corpo, formam um tumor, como foi observado em camundongos. Outro problema é a compatibilidade, já que são células estranhas ao corpo.

Qual a diferença entre o uso terapêutico de células-tronco e a clonagem?

As células-tronco retiradas de um embrião produzido naturalmente ou por fertilização assistida podem apresentar incompatibilidade com o paciente, pois o sistema imunológico pode interpretá-las como um organismo invasor e atacá-las. Quando um embrião é fruto da clonagem, o blastocisto replica o código genético do próprio paciente, o que impediria a rejeição às células-tronco.

Essa é a chamada clonagem terapêutica, permitida em alguns países, como a Coréia do Sul e a Inglaterra. Se um embrião clonado é implantado em um útero, chama-se clonagem reprodutiva.

Alguém já clonou embriões humanos?

Há apenas um caso documentado e aceito pela comunidade científica internacional. No passado, cientistas sul-coreanos utilizaram 242 óvulos humanos para gerar 20 embriões usados para a extração de células-tronco. Eles conseguiram produzir apenas uma linhagem.

Fonte: Jornal O Estado de São Paulo