Médico cria jogo que ensina a aplicar insulina em diabéticos

Um médico do Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil quer sair de férias, mas não consegue porque no posto de saúde em que trabalha não há outro colega que saiba tratar de pacientes diabéticos que dependem de insulina.Endocrinologista Leandro Arthur Dieh

Fonte: DiabeteNet
9/7/2013 – Site da RCM Pharma

 Decide, então, treinar um jovem médico. Poderia ser uma história real, mas é o enredo de um jogo desenvolvido por um médico paranaense, que está na final de uma competição internacional que começou esta segunda-feira em São Petersburgo, na Rússia, avança o Diário Digital.

Fã de jogos como Battlefield, o endocrinologista Leandro Arthur Dieh, de 35 anos, desenvolveu o jogo como tese de doutoramento na Faculdade Pequeno Príncipe, de Curitiba (PR). A ideia surgiu a partir da sua experiência na rede pública de saúde.

“Testemunhei a dificuldade que os médicos não especialistas em diabetes têm em lidar com a insulina. Muitos retardam a indicação porque não sabem manuseá-la. E quem sofre é o paciente do SUS”.

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Estudos mostram que só 24% dos diabéticos no país estão bem controlados. O restante corre o risco de desenvolver complicações como cegueira, insuficiência renal e amputações em razão da glicemia descompensada.

Chamado InsuOnLine, o jogo ensina a aplicação de insulina em diversos perfis de diabéticos. A complexidade dos casos cresce com o passar dos níveis, até atingir situações como a que o paciente usa várias doses de insulina e sofre de hipoglicemia.

Segundo ele, o jogo começou a ser criado no início de 2011 em parceria com Rodrigo Martins de Souza, sócio de uma empresa de Londrina especializada em jogos.

“O nosso desafio foi desenvolver um jogo para o ensino, mas que também seja divertido. Há muitos simuladores chatíssimos, que as pessoas só jogam obrigadas.”

Embora o público-alvo seja médicos do SUS (as medicações e as orientações são voltadas para o que há disponível na rede pública), Dieh reconhece que os profissionais mais velhos terão mais dificuldade em jogar.

Com o jogo quase pronto, o próximo passo será testá-lo com um grupo de médicos reais: metade vai jogar, e a outra metade vai assistir a uma palestra ou aula sobre o tema.

“Vamos comparar a aprendizagem dos dois grupos sobre o uso de insulina nas situações mais comuns num posto de saúde”, diz Dieh, também professor da Universidade Estadual de Londrina.

O jogo venceu a edição brasileira da Imagine Cup 2013 na categoria Cidadania Mundial. Isso credenciou-o para disputar a final mundial, na Rússia.

O lançamento comercial do jogo está previsto para 2014, quando o médico concluir a tese de doutoramento.