O Diabetes e a Anticoncepção

  Artigo publicado em 22/6/2004 – Roche Diagnóstica

Este artigo foi gentilmente cedido à Comunidade DiabeteNet.Com.Br pela revista De bem com a vida, uma publicação da Roche Diagnósticos
O Diabetes e a AnticoncepçãoDiabetes e Anticoncepção

Através do uso de métodos contraceptivos, a mulher que tem diabetes pode se permitir o exercício da sexualidade; diminuindo o risco de uma gravidez não programada e observando a importância da prevenção das doenças sexualmente transmissíveis – DST/AIDS.
Não existe  um  único  método contraceptivo adequado a todas as mulheres com diabetes, pois cada método tem vantagens e desvantagens. Não se pode considerar somente os riscos gerais e benefícios do método, mas também os riscos potenciais inerentes ao diabetes. Lembrar sempre das possíveis conseqüências de uma gravidez não planejada, com inadequado controle glicêmico pré-concepção, que eleva notavelmente o risco de anomalias congênitas. Assim, a escolha do método contraceptivo deve ser personalizada.
Os métodos contraceptivos podem ser divididos didaticamente em: comportamentais, de barreira, dispositivo intra-uterino (DIU), métodos hormonais e cirúrgicos.

A) MÉTODOS COMPORTAMENTAIS

Em geral, não recomendáveis para quem tem diabetes; especialmente para o tipo 1 (insulinodependente).

Método de Ogino-Knauss ou Tabela

A tabelinha consiste em abster- se de relações sexuais desprotegidas no período fértil (ovulação). Não é um método seguro, pois os ciclos menstruais devem ser sempre regulares (28-32 dias), sem sofrer variações. Deve-se evitar o coito desprotegido cerca de 5 dias antes e depois do provável dia da ovulação, o que geralmente ocorre 14 dias antes da próxima menstruação.

Método do Muco cervical (Billings)

Baseia-se na identificação do período fértil pelas modificações cíclicas do muco cervical. No período fértil (12 ao 16 dia antes da menstruação), a mulher produz uma secreção clara, fina e pegajosa, tipo “clara de ovo”. A observação do fluxo mucoso deve ser diária e tem que se evitar o coito desprotegido ao menor sinal de muco, permanecendo em abstinência por no mínimo 3 dias a partir do pico de produção.

Coito Interrompido

É a interrupção do fluxo ejaculatório, retirando-se o pênis de dentro da vagina antes que ocorra a ejaculação. Tem baixa efetividade, pois pode extravasar líquido seminal rico em espermatozoides na vagina, sem que o parceiro perceba.

B) MÉTODOS DE BARREIRA

Estes métodos impedem a ascensão dos espermatozoides ao útero e são de grande utilidade na prevenção das DST / AIDS.

Condom (Masculino e Feminino)

A camisinha ou preservativo é um envoltório de látex que é colocado no pênis ereto, antes da penetração na vagina, retendo o esperma no ato sexual. Deve-se pressionar o reservatório  que fica na extremidade do preservativo, durante sua colocação, para que não acumule ar, a fim de evitar o rompimento.
O condom feminino constitui-se em um tubo de poliuretano com uma extremidade fechada e outra aberta, acoplada a dois anéis flexíveis também de poliuretano na cérvice uterina, paredes vaginais e vulva. O produto já vem lubrificado, devendo ser utilizado uma única vez.

Diafragma

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Dispositivo circular de borracha, para ser colocado dentro da vagina, associado ao espermicida, com o objetivo de impedir a ascensão dos espermatozóides pelo colo uterino. É introduzido na vagina cerca de 30 minutos antes da relação sexual e só retirado após 8 horas. Tem o tamanho certo para cada paciente e a contracepção dependerá da utilização correta do dispositivo.

Espermicidas ou Espermaticidas

São substâncias químicas que  imobilizam e destroem os espermatozóides. A mulher coloca no fundo vaginal cerca de 20-30 minutos antes da relação sexual e sua ação é de cerca de 1 hora. Devem ser utilizadas em associação com os preservativos ou o diafragma, para compensar sua baixa eficácia contra- ceptiva. Não protege das DST/AIDS.

C) DISPOSITIVO INTRA-UTERINO

É um dispositivo de polietileno a ser inserido no útero, e pode ser de cobre ou hormônio (DIU ativo), para impedir a fecundação. Tem elevada eficácia, porém podem ocorrer intercorrências como expulsão do dispositivo, dor pélvica, sangramento anormal, cólica menstrual e infecção. A gravidez, quando ocorre, constitui risco de abortamento no 1º e 2º trimestres. O DIU não protege contra AIDS e outras DST.

D) ANTICONCEPÇÃO HORMONAL

A anticoncepção hormonal consiste em administrar hormônios artificiais, semelhantes aos produzidos pela mulher, capazes de impedir a ovulação. São bastante eficazes, mas deve-se avaliar quais mulheres podem fazer uso, devido aos efeitos colaterais e contra-indicações.
O mecanismo de ação consiste em inibir a ovulação por bloqueio na liberação de gonadotrofinas hipofisárias; em modificar o muco cervical tornando – o hostil à penetração dos  espermatozoides; em alterar as condições da camada interna uterina e a implantação do embrião e; em modificar a contratilidade das trompas  alterando o transporte dos gametas.
Os preparados comerciais disponíveis no mercado estão sob a forma de comprimidos de uso oral ou vaginal, injetáveis e os implantes. Podem conter progestágenos isoladamente ou associados aos estrogênios. Podem ser de uso diário contínuo, intermitente ou pós-coital (pílula do dia seguinte) ou mensal. Não protegem das DST/AIDS. As principais contra-indicações são neoplasia ou suspeita de neoplasia hormônio-dependente, gravidez, hiper-tensão arterial, fumantes acima dos 35 anos, doença tromboembólica, cardiovascular ou ocular, lúpus, hepatopatias e diabetes mellitus descompensado.

As preparações de baixa dosagem não estão implicadas na deterioração significativa do metabolismo da glicose e podem ser recomendadas para quem tenha diabetes bem controlado.

E) MÉTODOS CIRÚRGICOS

São métodos contraceptivos permanentes, realizados através de cirurgia, na mulher (laqueadura de trompas) ou no homem (vasectomia), com a finalidade de evitar definitivamente a possibilidade de gravidez.

Laqueadura ou Ligadura de Trompas e Vasectomia

A ligadura de trompas é uma cirurgia realizada na mulher, por incisão abdominal ou por videolaparoscopia, com o objetivo de cortar as trompas e interromper a passagem do óvulo e/ou dos espermatozoides, evitando-se a fecundação. Tem eficácia elevada e pode ser feita durante a cesárea.
A vasectomia é uma cirurgia feita no homem, pela qual se interrompe, bilateralmente, o canal deferente. A ejaculação masculina permanece normal, mas sem os espermatozoides. O procedimento é rápido e feito sob anestesia local.
Os métodos de barreira, a pílula anticoncepcional de baixa dosagem e o coito interrompido, são os métodos não definitivos mais utilizados na prática clínica.

Para quem mantém o diabetes bem controlado, as pílulas de baixa dosagem e o DIU podem representar uma boa opção contraceptiva, principalmente quando associados ao uso do condom masculino ou feminino, importantes na prevenção da AIDS e de outras DST. Para quem está com sua prole completa, o método permanente de anticoncepção, por vezes, podem ser a melhor opção.